Serviço de chá e café “Coração”, da Sociedade de Porcelanas, Lda. Foi fabricado em finais da década de 20 e nos primeiros anos de 1930.
Produzido na fábrica da Arregaça, em Coimbra (a sede lisboeta estava na Rua dos Correeiros), este conjunto é dos exemplos mais expressivos da adaptação portuguesa da estética ‘art-déco’ ao universo doméstico. A própria designação comercial (“Formato Coração”, decoração “L.B. 4078 Vermelho”) revela a organização da fábrica: primeiro escolhia-se a forma das peças, depois o padrão decorativo aplicável ao conjunto.
A decoração com pequenos corações repetidos sobre porcelana branca é surpreendentemente moderna para a época.
A Sociedade de Porcelanas de Coimbra foi fundada cerca de 1922, integrando o movimento de modernização industrial da cerâmica portuguesa no período entre guerras. Instalou-se na Arregaça, então zona periférica industrial de Coimbra, e tentavs competir com fábricas como a Vista Alegre e a Electro-Cerâmica do Candal.
As marcas “Coimbra S.P. Portugal” tornaram-se conhecidas em vários mercados externos, sobretudo nas décadas de 1930 e 1940. Nos anos seguintes, a empresa acabou progressivamente absorvida pela órbita da Vista Alegre, perdendo autonomia industrial ao longo do século XX.
Esta montagem fotográfica para catálogo mostra o lado menos conhecido do design ‘déco’ português: modernismo decorativo, humorístico e sentimental, muito distante da imagem tradicional da loiça portuguesa apenas floral e clássica. A composição gráfica da própria folha do catálogo (fundo preto, impressão a vermelho vivo e dourado discreto) aproxima-se dos catálogos franceses e alemães de artes decorativas da época.
Hoje, folhas originais como esta são documentos raros da história do design industrial português. Testemunham uma década em que fábricas nacionais procuravam afirmar a linguagem estética internacional, sofisticada e moderna.

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