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terça-feira, janeiro 13

ALBUMINAS

O processo de impressão em albumina foi o método dominante de produção de provas fotográficas entre 1850 e 1895, marcando a estética e a difusão da fotografia no século XIX. Trata-se de um processo positivo, em papel, no qual a imagem é formada por sais de prata suspensos numa camada de albumina de ovo, aplicada sobre papel fino e de boa qualidade.

A preparação começa com a separação da clara do ovo, batida e deixada a decantar, à qual se adiciona cloreto de amónio ou de sódio. Esta mistura era cuidadosamente espalhada sobre a superfície do papel, criando uma camada lisa e ligeiramente brilhante. Depois de seca, a folha era sensibilizada por imersão numa solução de nitrato de prata, formando cloreto de prata fotossensível. O papel, agora sensível à luz, era seco novamente e conservado no escuro até à impressão.

A impressão fazia-se por contacto directo: o negativo (geralmente em vidro) colocado sobre o papel albuminado, numa moldura de impressão, e exposto à luz solar. A imagem surgia gradualmente, permitindo ao operador controlar visualmente a densidade da prova. Após a exposição, a fotografia era lavada, tonificada (frequentemente com ouro, para melhorar a estabilidade e o tom) e finalmente fixada em hipossulfito de sódio.

O resultado: imagens de grande definição e riqueza tonal, com negros profundos, meios-tons suaves e o seu característico brilho acetinado. Estas qualidades tornaram a albumina ideal para retratos, vistas urbanas e álbuns fotográficos. Contudo, o processo tinha limitações: a camada orgânica envelhecia mal, sendo sensível à humidade, ao manuseamento e à poluição, o que explica o amarelamento e a perda de contraste observados em muitas provas antigas.

Apesar disso, a impressão em albumina foi crucial para a popularização da fotografia, permitindo tiragens múltiplas, circulação internacional de imagens e a consolidação da fotografia como meio visual moderno. A sua substituição foi gradual, pelos papéis de gelatina, no final do século XIX.







Albuminas: grande formato
e carte-de-visite
(autor, Francisco Rocchini)



sábado, janeiro 3

Os Postais Fotográficos de Bárcia

Em 1906, a nova Avenida D. Amélia (hoje Avenida Almirante Reis) estendia-se para norte, obrigando ao desaparecimento de parte do regueirão. A Rua dos Anjos foi cortada na zona exacta onde estava a velha igreja, muitos metros aquém da actual. O templo foi abaixo. Terraplanou-se a zona e, depois, cosmopolita e desempoeirado, passou-lhe por cima o tabuleiro da nova artéria citadina. Os velhos prédios da Rua dos Anjos vêem-se, na foto, em segundo plano. Ficaram lá. Ainda lá estão. Mas a vista a partir do mesmo local é hoje impossível. Onde vemos igreja e anexos, homens e carroça, corre agora asfalto. Zona alagadiça, os Anjos continuam a denunciar desníveis de terreno justificáveis pelo ribeiro que, em tempos anteriores à cidade, por aqui correu, entroncando no rio maior que definia o leito da actual avenida. 

  Onde as águas se cruzam - dizem -, o destino espreita. Assim, também nesta novíssima avenida de 1906, cujo real nome em breve passaria à História. D. Amélia no exílio, e eis novo topónimo, em 1910, homenageando o almirante Cândido dos Reis.

José Artur Leitão Bárcia esteve lá, de máquina fotográfica e tripé, antes de tudo isso. E é, talvez, o seu postal fotográfico mais sugestivo: "Lisboa Antiga", sim, mas retratada à beira de ser Lisboa nova. Entre um século e o outro. Entre o bairro popular e a larga avenida. Entre a Monarquia e a República.

(texto de Marina Tavares Dias em 'Os Melhores Postais de Lisboa'.




ILDEFONSO PUIDGENGOLAS: O HERÓI DE BADAJOZ REFUGIADO EM PORTUGAL

Agosto de 1936. Q uando as tropas franquistas do coronel Juan Yagüe cercaram Badajoz, o homem responsável pela defesa da cidade era um coron...