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sexta-feira, maio 22

FRANCESCO ROCCHINI

Francesco Rocchini (1821–1893)  foi um dos mais fotógrafos activos na Lisboa no século XIX, desempenhando um papel central na consolidação da fotografia enquanto prática profissional, artística e comercial. Nascido em 1821, chegou a Portugal em 1847, num momento ainda precoce da história da fotografia, quando os processos e os modelos de estúdio se encontravam em plena definição. Fascinado pela possibilidade de fotografar salões e outros interiores, aprenderá a técnica de daguerreótipo com P. K. Corentin, especialista francês de passagem pela capital portuguesa.

A partir de 1853, Rocchini exerce como fotógrafo profissional, vindo a estabelecer um atelier de grande prestígio no Bairro Alto, com frente para a Rua de São Pedro de Alcântara e entrada pela Travessa da Água Flor. O seu estúdio distinguia-se pela oferta de retratos em todas as dimensões, desde miniaturas até ao tamanho natural, bem como pela execução de trabalhos em exteriores por encomenda,  sinal de uma actividade sólida e bem estruturada. 

O reconhecimento da sua obra ultrapassou o contexto português. Foi premiado internacionalmente, nomeadamente na Exposição Universal de Viena (1873), na Exposição Internacional de Filadélfia (1876), na Exposição Universal de Paris (1878),, na Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro (1879) e na Exposição Internacional de Fotografia do Porto (1886), onde obteve medalha de ouro. Estes prémios colocam Rocchini ao nível dos grandes ateliers europeus do seu tempo e confirmam a importância do seu estúdio lisboeta nos circuitos internacionais da fotografia.

Morreu em 1893, deixando produção vasta, hoje maioritariamente dispersa por álbuns particulares e colecções pouco estudadas. A sua relativa obscuridade actual contrasta com o prestígio que teve em vida. Francesco Rocchini deve ser reconhecido como uma figura maior da fotografia portuguesa do século XIX e como um dos protagonistas da afirmação da fotografia em Lisboa enquanto arte e profissão.

Colaborador de inúmeras publicações, Rocchini poderá ter criado, sem o saber, algumas imagens depois utilizadas sobre postal ilustrado. Após a sua morte, em 1895, o estúdio continuará activo. Tal como acontece no caso de Cifka, muitos dos negativos e provas que realizou irão engrossar vários acervos e recolhas temáticas.



Programa de visita guiada ao antigo

atelier Rocchini, por Marina Tavares Dias 

e José Luís Madeira (2010)




Albumina original a partir 
de negativo de vidro de 
Francisco/Francesco Rocchini  
e posterior postal ilustrado em fototipia





Catálogo, cartão fotográfico e publicidade
 ao 'atelier' de Rocchini, 
antes e após a morte do fotógrafo 

terça-feira, janeiro 13

ALBUMINAS

O processo de impressão em albumina foi o método dominante de produção de provas fotográficas entre 1850 e 1895, marcando a estética e a difusão da fotografia no século XIX. Trata-se de um processo positivo, em papel, no qual a imagem é formada por sais de prata suspensos numa camada de albumina de ovo, aplicada sobre papel fino e de boa qualidade.

A preparação começa com a separação da clara do ovo, batida e deixada a decantar, à qual se adiciona cloreto de amónio ou de sódio. Esta mistura era cuidadosamente espalhada sobre a superfície do papel, criando uma camada lisa e ligeiramente brilhante. Depois de seca, a folha era sensibilizada por imersão numa solução de nitrato de prata, formando cloreto de prata fotossensível. O papel, agora sensível à luz, era seco novamente e conservado no escuro até à impressão.

A impressão fazia-se por contacto directo: o negativo (geralmente em vidro) colocado sobre o papel albuminado, numa moldura de impressão, e exposto à luz solar. A imagem surgia gradualmente, permitindo ao operador controlar visualmente a densidade da prova. Após a exposição, a fotografia era lavada, tonificada (frequentemente com ouro, para melhorar a estabilidade e o tom) e finalmente fixada em hipossulfito de sódio.

O resultado: imagens de grande definição e riqueza tonal, com negros profundos, meios-tons suaves e o seu característico brilho acetinado. Estas qualidades tornaram a albumina ideal para retratos, vistas urbanas e álbuns fotográficos. Contudo, o processo tinha limitações: a camada orgânica envelhecia mal, sendo sensível à humidade, ao manuseamento e à poluição, o que explica o amarelamento e a perda de contraste observados em muitas provas antigas.

Apesar disso, a impressão em albumina foi crucial para a popularização da fotografia, permitindo tiragens múltiplas, circulação internacional de imagens e a consolidação da fotografia como meio visual moderno. A sua substituição foi gradual, pelos papéis de gelatina, no final do século XIX.







Albuminas: grande formato
e carte-de-visite
(autor, Francisco Rocchini)



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