Esta fotografia de Nadar fixa o Pierrot tal como o conhecemos em inúmeros desenhos e ilustrações posteriores. Foi praticamente inventado por Jean-Gaspard Deburau, em Paris, no Théâtre des Funambules.
O traje branco amplo; o rosto empastado, sem expressão natural; o gesto suspenso; o corpo ligeiramente inclinado, como se a acção estivesse prestes a acontecer. O Pierrot não vinha do nada. Antes de Deburau, era herdeiro do Pedrolino da ‘commedia dell’arte’: personagem falante, secundária e cómica. Ele fez dela um ser silencioso, central, carregado de melancolia.
O nosso Pierrot moderno é este símbolo de excessiva sensibilidade, ingénuo e lúcido, ridículo e trágico, preso entre o gesto e o silêncio. É o Pierrot de Deburau.

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