Mostrar mensagens com a etiqueta Estereoscopias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estereoscopias. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, maio 28

O Passeio Público em ESTEREOSCOPIA

Remate norte do Passeio Público lisboeta, com escadaria de acesso à Praça da Alegria de Baixo. (vista estereoscópica sem indicação de autor, c. 1870). A data habitualmente dada como nascimento da Avenida da Liberdade - 1879 - está errada, e refere-se à altura em que foi apresentado o projecto. Deve preferir-se 1886, pois só nessa altura foi a artéria oficialmente inaugurada. Os portões do Passeio Público ainda estavam de pé na altura em que foi construído o padrão dos Restauradores.

Esta vista estereoscópica montada em cartão simples e sem referências é mais antiga que a maioria das estereoscopias portuguesas correntes que hoje aparecem em leilões ou sítios de vendas. Provavelmente, é da década de 1860 ou de 1870. Está mais próxima das primeiras experiências lisboetas ligadas à circulação inicial da fotografia estereoscópica do que das grandes séries comerciais posteriores. Muitas das primeiras fotografias deste tipo sobreviveram sem marca porque ainda não havia uma identidade comercial estabilizada em Portugal para este mercado.






domingo, março 1

AS VISTAS ESTEREOCÓPICAS DE GOULART

Entre os editores portugueses de estereoscopia no virar do século XIX para o XX, a figura de Manuel Goulart destaca-se pela coerência temática e pela ligação directa ao mundo atlântico português. Nascido no Faial (Açores) em 1866, iniciou a actividade fotográfica na Horta e emigrou para New Bedford (Massachusetts) em 1889, onde manteve um estúdio, sobretudo dedicado ao retrato. 

A sua relevância prende-se com uma série comercial editada nos EUA após uma viagem realizada em 1895, que reuniu vistas dos Açores, Madeira e Portugal. Essa tríade aparece explicitamente impressa nos cartões que denomina “AZORES, MADEIRA and PORTUGAL”, definindo um catálogo identitário pensado para a diáspora e para um público interessado em imagens da terra natal.

Os cartões seguem o formato ‘standard’, com numeração de série e a indicação “Copyright, 1897, by M. Goulart, New Bedford, Mass.”. O design revela cuidado gráfico: na frente, uma moldura discreta (frequentemente cinzenta) enquadra as duas imagens; no verso, surgem motivos decorativos alusivos a Portugal — vinhas, touradas, trajes — compondo uma iconografia que reforça o carácter “nacional” do conjunto. Esta combinação de marca editorial clara e numeração e decoração temática distingue os cartões de Goulart no mercado antiquário e nas colecções museológicas.

No que toca às vistas de Lisboa, é possível identificar títulos e números concretos. Entre eles: 5 – “Rua D’Elrei, Lisboa”; 44 – “Avenida da Liberdade, Lisboa” (uma vista de rua muito procurada, frequentemente com transeuntes e animação urbana); 48 – “Vista Panoramica, Lisboa” (panorama com o porto e embarcações); 52 – “Torre de Belém”; além de temas como “Chiado, Lisboa”, “Basílica da Estrela, Lisboa” e “Estátua de D. José / Terreiro do Paço”. A série inclui ainda cenas de costumes, como “Toirada, Lisboa”, ampliando o repertório para além do monumental. Fora da capital, a colecção cobre localidades continentais e insulares.

A importância de Manuel Goulart reside nestes três pontos. Primeiro, a mediação transatlântica: as suas estereoscopias circularam nos EUA, respondendo ao desejo de memória e pertença das comunidades emigrantes, sobretudo numa área onde estavam em grande número: New Bedford. Segundo, a fixação de uma iconografia urbana — Lisboa surge através de eixos modernos (Avenida da Liberdade), praças emblemáticas (Terreiro do Paço, Rossio) e monumentos-símbolo (Belém, Estrela). Terceiro, a afirmação editorial: ao assinar e numerar sistematicamente os cartões, Goulart construiu uma marca reconhecível, hoje identificável em acervos e leilões. Embora o seu negócio principal tenha sido o retrato, a série estereoscópica “Azores, Madeira and Portugal” é o testemunho mais consistente da sua contribuição para a fotografia portuguesa no início do século XX.







sábado, janeiro 3

Cartões Estereoscópicos

 Ao longo do século XIX, os visores de cartões estereoscópicos evoluíram de aparelhos científicos complexos para objectos de lazer massificados, que uniam tecnologia portátil, consumo cultural e entretenimento visual.





ILDEFONSO PUIDGENGOLAS: O HERÓI DE BADAJOZ REFUGIADO EM PORTUGAL

Agosto de 1936. Q uando as tropas franquistas do coronel Juan Yagüe cercaram Badajoz, o homem responsável pela defesa da cidade era um coron...