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sexta-feira, maio 15

O CAMANHO

A antiga Casa Camanho, um dos cafés mais característicos do velho Porto liberal e boémio, surgiu na então Praça de D. Pedro — actual Praça da Liberdade — na segunda metade do século XIX. O seu proprietário, o espanhol Manuel José Camanho, trabalhara inicialmente numa cervejaria de Frederico Clavel, na Rua do Bonjardim, negócio que adquiriu em 1868. Poucos anos depois transferiu-se para a Praça de D. Pedro, onde abriu o estabelecimento que tomou o seu nome e que já existia seguramente na década de 1870. O café foi profundamente remodelado e ampliado em 1880, passando então a apresentar um aspecto mais moderno e espaçoso, embora conservando traços típicos das antigas cervejarias oitocentistas, como o balcão sob a escadaria e as paredes cobertas de garrafas e espelhos. A Casa Camanho ficou conhecida menos pelo café do que pelas bebidas — vinho do Porto, genebra, whisky e outras especialidades — e tornou-se um dos pontos centrais da convivência masculina, jornalística e literária da cidade.

Ao longo das últimas décadas do século XIX e dos primeiros anos do século XX, a Casa Camanho integrou o grande circuito dos cafés históricos do Porto, juntamente com o Guichard, o Portuense ou o Central, formando o coração social e político da Praça de D. Pedro. Era frequentada por jornalistas, actores, estudantes, políticos e figuras da boémia elegante portuense, numa época em que os cafés funcionavam como verdadeiros clubes públicos de tertúlia e conspiração política.  A fotografia mostra a fachada da Casa Camanho integrada na frente comercial da praça, antes das profundas transformações urbanas do século XX. 




sábado, maio 9

O PALLADIUM PORTUENSE

 O Café Palladium abriu portas no Porto a 4 de Novembro de 1940, instalado no monumental edifício dos antigos Grandes Armazéns Nascimento, na esquina da Rua de Santa Catarina com a Rua de Passos Manuel. O imóvel fora projectado décadas antes pelo arquitecto Marques da Silva, num processo iniciado em 1914, mas só concluído em 1926. Em plena época dourada dos grandes cafés urbanos, o Palladium surgiu como símbolo de modernidade e luxo: decoração Art Déco desenhada por Mário de Abreu, grandes espelhos, mármores, iluminação indirecta, restaurante, salão de chá, salas de bilhar e snooker, espaços de jogo e até um cabaret no último piso com entrada própria. Tornou-se rapidamente um dos centros da vida nocturna portuense, frequentado por comerciantes, jornalistas, artistas e boémios, numa atmosfera cosmopolita inspirada nos cafés parisienses. O Diário de Lisboa destacava mesmo algumas modernidades raras para a época, como mesas com ligação telefónica e sistemas de altifalantes internos.

O Palladium encerrou definitivamente em 31 de Março de 1974, já numa altura em que o modelo clássico dos grandes cafés começava a desaparecer. O edifício foi depois transformado nas Galerias Palladium, mantendo o nome histórico e ganhando, na fachada, o célebre relógio animado com figuras como o São João, o Infante D. Henrique, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco. Durante décadas funcionaram ali várias lojas de referência, incluindo a Fnac e a C&A, que abandonaram o espaço recentemente. Em 2024 foi anunciada uma nova transformação do edifício: a instalação da primeira loja de rua da Primark em Portugal, ocupando cinco pisos, com abertura prevista para 2027. Apesar das mudanças sucessivas, o velho Palladium continua a marcar visualmente a Baixa do Porto, como memória sobrevivente dos grandes cafés elegantes do século XX.







segunda-feira, janeiro 12

CALÓTIPOS

 O calótipo foi um dos primeiros métodos fotográficos da história, e teve papel fundamental no desenvolvimento da fotografia moderna. 


Criado em 1841 pelo inglês William Henry Fox Talbot, o processo utilizava papel sensibilizado com sais de prata para registrar imagens por meio da ação da luz.


Diferente do daguerreótipo, que produzia apenas uma imagem única e muito detalhada numa placa metálica, o calótipo introduziu o sistema negativo–positivo. A imagem inicial era um negativo em papel, a partir do qual podiam ser feitas várias cópias positivas.  Representou um avanço decisivo para a difusão da fotografia. 


Apesar de apresentar menor nitidez, devido à textura do papel, o calótipo tornou o processo fotográfico mais versátil, acessível e reprodutível. Essa inovação abriu caminho para o uso da fotografia em áreas como a ciência, a arte e a documentação, influenciando diretamente os processos fotográficos que seriam desenvolvidos ao longo das décadas seguintes.


Em baixo: Ponte Pênsil sobre o Rio Douro (antepassada da Ponte Luiz I). Calótipo de Frederick William Flower.







ILDEFONSO PUIDGENGOLAS: O HERÓI DE BADAJOZ REFUGIADO EM PORTUGAL

Agosto de 1936. Q uando as tropas franquistas do coronel Juan Yagüe cercaram Badajoz, o homem responsável pela defesa da cidade era um coron...