Emílio Biel nasceu na Alemanha em 1838 e fixou-se no Porto ainda jovem, tornando-se uma das figuras centrais da fotografia e da impressão ilustrada em Portugal. Fundou a célebre Casa Biel, oficina gráfica e fotográfica equipada com maquinaria moderna e iluminação eléctrica própria, algo raríssimo no país no final do século XIX. A partir das décadas de 1870 e 1880, produziu milhares de fotografias de monumentos, cidades, caminhos-de-ferro, tipos populares e paisagens portuguesas, muitas delas editadas em álbuns, postais e estereoscopias.
Entre as suas obras mais importantes contam-se os registos da construção das linha férreas e o grande álbum ‘A Arte e a Natureza em Portugal’, publicado em fascículos entre 1900 e 1908. A Casa Biel tornou-se referência técnica e artística comparável às grandes oficinas europeias da época. Dominando a técnica da fototipia, publicou igualmente dezenas de fotografias de costumes em postal ilustrado.
Quando começou a Primeira Grande Guerra, a sua origem alemã passou a ser vista com desconfiança, num ambiente cada vez mais hostil aos cidadãos germânicos. Biel morreu no Porto a 14 de Setembro de 1915, antes da entrada oficial de Portugal na guerra contra a Alemanha (em Março de 1916). Pouco depois da sua morte, os bens de muitos alemães residentes em Portugal foram apreendidos pelo Estado, e a Casa Biel acabou confiscada e dispersa. Parte do estúdio foi adquirida pelo fotógrafo Fernando Brütt, antigo colaborador da empresa, mas o vastíssimo arquivo de negativos, chapas e maquinaria perdeu-se em grande parte.
O fim da Casa Biel marcou também o desaparecimento de um dos mais modernos centros de produção fotográfica e gráfica da península ibérica. Mas a obra permanece testemunho essencial do Portugal oitocentista e da modernização industrial do início do século XX.


