Esta variante das cartes-de-visite de 'cabeça cortada', uma 'cabeça na bandeja' com o cabelo em pé, é particularmente interessante porque cruza três tradições visuais do século XIX: o truque fotográfico, a cultura científica do choque eléctrico e o humor negro victoriano.
O cabelo eriçado não é um defeito técnico nem resultado do recorte. É um efeito procurado, imediatamente reconhecível para o público oitocentista. Na segunda metade do século XIX, o cabelo em pé associava-se a experiências de electricidade estática (máquinas de fricção, garrafas de Leiden), a demonstrações públicas em feiras, liceus e salões científicos, e à ideia moderna de 'energia invisível'. Acabeça não está apenas “cortada” — está electrificada. A iconografia bíblica de São João Baptista, a cabeça apresentada numa bandeja, é referência imediata, muito difundida na pintura e na gravura: Salomé, Herodes, o martírio. O resultado é uma imagem híbrida: uma espécie de 'mártir no laboratório com humor macabro'.

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