terça-feira, janeiro 6

Cartes-de-visite

Do ponto de vista técnico, a carte-de-visite baseava-se quase sempre num processo de contacto directo entre negativo e papel, sem ampliação. O negativo era produzido numa câmara especial de retrato, equipada com múltiplas objectivas (4, 6, 8 ou mais), que impressionavam simultaneamente várias imagens pequenas numa única chapa de vidro. Cada exposição gerava assim uma grelha de retratos idênticos, permitindo uma produção eficiente e económica.

Os negativos eram, até finais da década de 1870, maioritariamente em colódio húmido sobre vidro, um processo que exigia preparação, exposição e revelação imediatas. Apesar das dificuldades práticas, o colódio oferecia uma definição extraordinária, essencial para o pequeno formato da carte. A partir da década de 1870 surgem gradualmente os negativos de colódio seco, mais práticos, embora o princípio de impressão se mantenha.

A impressão fazia-se quase invariavelmente em papel albuminado, sensibilizado com sais de prata e exposto à luz solar numa moldura de contacto. Cada imagem da chapa negativa era recortada e montada sobre cartão rígido, normalmente com a marca do estúdio impressa no verso. A nitidez característica das cartes-de-visite resulta precisamente desta impressão por contacto, que transfere fielmente todos os detalhes do negativo para o papel.

Até cerca de 1880, a ampliação óptica era rara neste formato (não era usado o 'ampliador' de estúdio para impressão). As cartes não eram ampliadas: eram impressões directas, pensadas desde a captação para o tamanho final. Só com a generalização dos papéis de gelatina-brometo e do ampliador fotográfico, nas últimas décadas do século XIX, começa essa mudar a prática.

A partir do final da década de 1850, as 'cartes-de-visite' representam um verdadeiro dispositivo social e industrial, responsável pela primeira circulação massiva de imagens fotográficas na história.






Cartes-de-visite com retratos
da Rainha D. Maria Pia
e da futura Rainha D. Amélia 




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