Joaquim Thomaz del Negro (5 de Junho de 1850 – 12 de Fevereiro de 1933) era maestro, compositor e pedagogo, famoso no panorama musical português entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Começou a carreira como trompa solista do Teatro Real de S. Carlos, função que exerceu até 1878 e novamente após 1890. Entre 1879 e 1889 trabalhou em Madrid, ligado ao Teatro Real. De regresso a Lisboa, dedicou-se intensamente ao ensino, sendo professor de trompa no Conservatório Nacional durante cerca de 27 anos, formando várias gerações de instrumentistas.
Paralelamente, destacou-se como maestro e compositor de coplas e música para teatro, sobretudo no género da revista, que era a grande moda na viragem para Novecentos. Entre as suas obras mais conhecidas e aplaudidas estão 'Talvez te escreva!...' (1901), revista em três actos, em colaboração com Luiz Filgueiras; 'Vivinha a saltar!' (1903), revista mágica, novamente com Filgueiras; 'O Homem das Mangas' (1908), para o Teatro Taborda; e a revista de estrondoso sucesso 'O Dia de Juízo' (1915), cuja partitura inclui números dedicados ao próprio maestro.
O seu retrato publicado numa publicação como a 'Perfis Artísticos' (1882) confirma o reconhecimento público alcançado em vida. Thomaz del Negro permanece hoje como representante típico do meio musical da Lisboa boémia, cruzando o grande teatro lírico com a música popular urbana.
A 'Perfis Artísticos' foi uma publicação ilustrada portuguesa do início da década de 1880, dedicada à divulgação de figuras de relevo do teatro, da música e da cena artística. Editada em fascículos numerados e pensada para colecção, distinguia-se pelo uso de fotografias originais em albumina, coladas manualmente em cada exemplar, prática típica de edições 'de prestígio' anteriores à generalização dos processos fotomecânicos.
Cada número combinava retrato o fotográfico com um texto biográfico e crítico, destinado a fixar a memória pública de artistas em plena actividade. Hoje, 'Perfis Artísticos' constitui uma fonte rara e valiosa, tanto para a história das artes performativas em Portugal como para o estudo da edição fotográfica oitocentista.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigado pelo seu comentário.