sexta-feira, junho 5

FOTOGRAFIA CABELUDA

Os chamados ‘retratos de cabelo verdadeiro' constituíram uma pequena moda internacional durante os primeiros anos do século XX. Eram, na sua maioria, postais ilustrados fotográficos europeus, e combinavam fotografia ou fototipia colorida com aplicações manuais de cabelo humano verdadeiro, cuidadosamente colado e modelado para formar penteados, caracóis e franjas. 

Tal como os postais bordados, os exemplares com seda aplicada ou os cartões decorados com penas pretendiam transformar um objecto impresso em bem precioso e táctil. A figura feminina, tema preferido, surgia frequentemente representada ao estilo ‘belle-époque': grandes chapéus, laços, penteados elaborados que ganhavam volume graças ao cabelo autêntico.

Estas "fotografias cabeludas" pertencem à tradição muito mais antiga da utilização decorativa do cabelo humano. Durante os séculos XVIII e XIX, o cabelo era usado em joias, medalhões, grinaldas, flores artificiais, relicários e até alguns leques de luxo. 

Ao contrário das joias, em que a madeixa conservava a memória de uma pessoa específica, o cabelo destes exemplares era anónimo e funcionava apenas como matéria-prima artística, tal como a seda ou as plumas. O resultado situa-se a meio caminho entre a fotografia, a colagem e o artesanato decorativo. Sobrevivem relativamente poucos exemplares em bom estado, pois o cabelo verdadeiro é frágil, acumula pó e tende a desprender-se do suporte. Hoje, são particularmente apreciados pelos coleccionadores de ‘ephemera’ e de objectos invulgares.









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