Francesco Rocchini (1821–1893) foi um dos mais fotógrafos activos na Lisboa no século XIX, desempenhando um papel central na consolidação da fotografia enquanto prática profissional, artística e comercial. Nascido em 1821, chegou a Portugal em 1847, num momento ainda precoce da história da fotografia, quando os processos e os modelos de estúdio se encontravam em plena definição. Fascinado pela possibilidade de fotografar salões e outros interiores, aprenderá a técnica de daguerreótipo com P. K. Corentin, especialista francês de passagem pela capital portuguesa.
A partir de 1853, Rocchini exerce como fotógrafo profissional, vindo a estabelecer um atelier de grande prestígio no Bairro Alto, com frente para a Rua de São Pedro de Alcântara e entrada pela Travessa da Água Flor. O seu estúdio distinguia-se pela oferta de retratos em todas as dimensões, desde miniaturas até ao tamanho natural, bem como pela execução de trabalhos em exteriores por encomenda, sinal de uma actividade sólida e bem estruturada.
O reconhecimento da sua obra ultrapassou o contexto português. Foi premiado internacionalmente, nomeadamente na Exposição Universal de Viena (1873), na Exposição Internacional de Filadélfia (1876), na Exposição Universal de Paris (1878),, na Exposição Portuguesa do Rio de Janeiro (1879) e na Exposição Internacional de Fotografia do Porto (1886), onde obteve medalha de ouro. Estes prémios colocam Rocchini ao nível dos grandes ateliers europeus do seu tempo e confirmam a importância do seu estúdio lisboeta nos circuitos internacionais da fotografia.
Morreu em 1893, deixando produção vasta, hoje maioritariamente dispersa por álbuns particulares e colecções pouco estudadas. A sua relativa obscuridade actual contrasta com o prestígio que teve em vida. Francesco Rocchini deve ser reconhecido como uma figura maior da fotografia portuguesa do século XIX e como um dos protagonistas da afirmação da fotografia em Lisboa enquanto arte e profissão.
Colaborador de inúmeras publicações, Rocchini poderá ter criado, sem o saber, algumas imagens depois utilizadas sobre postal ilustrado. Após a sua morte, em 1895, o estúdio continuará activo. Tal como acontece no caso de Cifka, muitos dos negativos e provas que realizou irão engrossar vários acervos e recolhas temáticas.
atelier Rocchini, por Marina Tavares Dias
e José Luís Madeira (2010)







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