A antiga Casa Camanho, um dos cafés mais característicos do velho Porto liberal e boémio, surgiu na então Praça de D. Pedro — actual Praça da Liberdade — na segunda metade do século XIX. O seu proprietário, o espanhol Manuel José Camanho, trabalhara inicialmente numa cervejaria de Frederico Clavel, na Rua do Bonjardim, negócio que adquiriu em 1868. Poucos anos depois transferiu-se para a Praça de D. Pedro, onde abriu o estabelecimento que tomou o seu nome e que já existia seguramente na década de 1870. O café foi profundamente remodelado e ampliado em 1880, passando então a apresentar um aspecto mais moderno e espaçoso, embora conservando traços típicos das antigas cervejarias oitocentistas, como o balcão sob a escadaria e as paredes cobertas de garrafas e espelhos. A Casa Camanho ficou conhecida menos pelo café do que pelas bebidas — vinho do Porto, genebra, whisky e outras especialidades — e tornou-se um dos pontos centrais da convivência masculina, jornalística e literária da cidade.
Ao longo das últimas décadas do século XIX e dos primeiros anos do século XX, a Casa Camanho integrou o grande circuito dos cafés históricos do Porto, juntamente com o Guichard, o Portuense ou o Central, formando o coração social e político da Praça de D. Pedro. Era frequentada por jornalistas, actores, estudantes, políticos e figuras da boémia elegante portuense, numa época em que os cafés funcionavam como verdadeiros clubes públicos de tertúlia e conspiração política. A fotografia mostra a fachada da Casa Camanho integrada na frente comercial da praça, antes das profundas transformações urbanas do século XX.

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