domingo, maio 24

Os Postais de António Novaes

António Novaes (1855–1940) foi uma das figuras fundamentais da fotografia portuguesa entre o final do século XIX e os primeiros anos do século XX, embora hoje permaneça relativamente esquecido face à celebridade posterior dos seus familiares Horácio e Mário Novaes. 

Filho de José Marcelino Henriques Novaes e de Fábia Emília de Novaes, era o mais velho de quatro irmãos ligados às artes. Já exercia a profissão de fotógrafo quando casou, em Lisboa, a 5 de Outubro de 1874, com apenas 19 anos. Nessa época morava na Rua do Arco do Marquês do Alegrete, n.º 92 (freguesia do Socorro). Em 1879, vivia na Rua Nova da Palma, n.º 69 (onde nasceu a filha Alice Novaes, baptizada no ano seguinte na Igreja do Socorro). No assento de nascimento da filha, António Novaes surge descrito como “retratista”. Em 1882 está registado como fotógrafo na Rua dos Canos, n.º 58, e em 1896 tinha atelier na Rua do Arco da Graça, n.º 30. Esta última morada está ligada à casa Photographia Contemporânea, oficina associada ao jornal ‘O Contemporâneo’. 

Em 1904, Novaes trabalhava na Calçada do Duque, n.º 25, morada de um dos grandes centros fotográficos da Lisboa da época e onde também exerceram actividade os irmãos mais novos (Eduardo e Júlio).

A carreira de António Novaes atingiu o auge entre 1902 e 1912. Afirmou-se então como fotojornalista e como retratista da corte, recebendo o título de Fotógrafo da Casa Real Portuguesa. Nesse período, colaborou na ‘Illustração Portugueza’, no ‘Occidente’, nos ‘Serões’, na ‘Semana Ilustrada’ e no ‘Tiro & Sport’. Para todas estas publicações fotografou as visitas régias, os casamentos elegantes, as corridas de automóveis, os desportos então emergentes e as cerimónias oficiais. São de sua autoria algumas das imagens mais emblemáticas da Lisboa monárquica do início do século XX. 

Os postais fotográficos das visitas do Presidente Loubet, de Eduardo VII, Afonso XIII, da rainha Alexandra ou dos duques da Cornualha trazem a sua assinatura no canto inferior direito e são muito procurados por coleccionadores. Em 1901, José Malhoa pintou e ofereceu-lhe um célebre retrato. 

Documentos camarários de 1903 e 1913 referem Novaes como ‘pintor retratista’, morando primeiro na Rua José Estêvão, n.º 129, e depois na Rua de Arroios, n.º 34. Isso sugere que António poderá ter conciliado fotografia e pintura nos últimos anos de actividade. Provavelmente já como fotógrafo de estúdio, especializado nos então muito divulgados ‘retratos a carvão’.




Visita a Lisboa 
do presidente francês 
Émile Loubet (1905)

 António Novaes 
retratado por José Malhoa (1901)



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