quarta-feira, maio 27

CASTRO DO CANTO, FOTÓGRAFO ANGRENSE

José Sebastião de Castro do Canto nasceu em Angra do Heroísmo a 20 de Janeiro de 1850 e pertenceu aos meios cultos e elegantes da sociedade terceirense do final do século XIX e início do XX. Funcionário público, chegou a ser secretário da Câmara Municipal de Angra, mas destacou-se principalmente como floricultor, aguarelista e ‘photographo amador’. Ligado ao Partido Progressista, foi eleito procurador à Junta Geral em 1905, exercendo funções de vice-presidente da comissão distrital. 

Apesar de nunca ter tido um grande atelier comercial conhecido, tornou-se figura muito respeitada nos círculos artísticos locais. Na fotografia, Castro do Canto foi sobretudo “amador de elite”, e muito elogiado pela crítica especializada. A revista ‘Echo Photographico’ dedicou-lhe uma página na sua Galeria de Amadores Contemporâneos, descrevendo-o como “photographo amador hors-ligne” e afirmando que as suas obras eram “admiradas e disputadas”. O nome dele ficou associado aos postais ilustrados editados pela Loja do Buraco (em Angra do Heroísmo), onde surge frequentemente em legendas estilo ‘Cliché do Sr. Castro do Canto’. 

Em 1910, Castro do Canto apresentou na montra da loja as primeiras experiências de ‘photographia a cores’ (autocrómio) conhecidas na Terceira, facto raro e muito precoce no contexto português. As suas imagens — paisagens do Monte Brasil, vistas urbanas ou festas do Espírito Santo — revelam um olhar simultaneamente documental e artístico, tornando-o uma das figuras mais interessantes da fotografia açoriana do século XX.






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