Este daguerreótipo é geralmente considerado o primeiro retrato fotográfico realizado nos EUA. Foi feito por volta de 1840 por John William Draper, professor de química na Universidade de Nova Iorque. A modelo é Dorothy Catherine Draper, irmã do fotógrafo.
A técnica do daguerreótipo tinha sido anunciada em 1839, por Louis Daguerre, em Paris. Era um processo extremamente sensível à luz e exigia tempos de exposição muito longos, frequentemente vários minutos. Por isso, os primeiros retratos eram difíceis: a pessoa tinha de permanecer absolutamente imóvel.
John William Draper foi dos primeiros cientistas a experimentar a nova técnica na América. Alguns pormenores da imagem explicam as condições técnicas da época: O rosto aparece relativamente nítido, porque foi a parte que Dorothy conseguiu manter mais imóvel.
Os braços estão ligeiramente desfocados, sinal de pequenos movimentos durante a exposição.
O chapéu e o colarinho muito claros ajudavam a reflectir a luz e facilitar a captação da imagem.
O fundo é simples, pois os estúdios ainda não existiam — tratava-se de uma experiência científica.
A própria Dorothy teve de ficar sentada ao sol durante vários minutos. Para reduzir sombras no rosto, Draper espalhou-lhe muito pó de arroz na face, solução improvisada que se tornaria comum nos primeiros retratos.
Este daguerreótipo marca um momento decisivo: dos primeiros retratos fotográficos do mundo;
primeiro feito nos Estados Unidos; mostra a passagem da fotografia do laboratório científico para o retrato humano, que rapidamente se tornaria uma das grandes indústrias do século XIX.
Poucos anos depois, os estúdios de daguerreótipos espalhar-se-iam por cidades como Nova Iorque, Boston, Paris ou Londres, e o retrato fotográfico substituiria progressivamente, no quotidiano imediato, o retrato pintado.

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