Alfred Fillon (1825-1881) foi uma das figuras decisivas da fotografia portuguesa oitocentista. Nascido em França, em Roanne, exilou-se em Portugal durante o Segundo Império de Napoleão III.
Recomendado por Victor Hugo a António Feliciano de Castilho, fixou-se primeiro no Porto, abrindo um estabelecimento fotográfico em 1857. Estabeleceu-se em Lisboa dois anos depois.
O seu atelier da Rua das Chagas tornou-se rapidamente um dos preferidos pela aristocracia, pela burguesia e pela Casa Real. Fotografou reis, rainhas, príncipes, actores, escritores, políticos, membros da sociedade elegante. Foi dos primeiros fotógrafos a dominar plenamente a estética da carte-de-visite, cuja moda se espalhava pela Europa toda. O trabalho de Fillon distinguia-se pela iluminação cuidada, pela escolha da pose ideal e pelo acabamento luxuoso dos cartões.
Tornou-se fotógrafo oficial do Teatro Nacional de D. Maria II, retratando os actores mais célebres do romantismo português. Muitas dessas fotografias circulavam coladas em revistas ilustradas como ‘O Contemporâneo’ ou eram usadas para gravuras nas páginas de outras, como ‘O Occidente’.
Além do retrato de estúdio, Fillon realizou panorâmicas de Lisboa e pormenores de monumentos, sendo um dos pioneiros da fotografia documental urbana. Interessava-se pelas artes decorativas, pela reprodução de pinturas, esculturas e objectos artísticos, na época em que a fotografia começava a ser usada como instrumento de divulgação patrimonial. Viajou pela Europa para acompanhar os progressos técnicos e participou na Exposição Internacional do Porto de 1865.
Entre 1868 e 1874 passou temporadas em Paris. O atelier mudou-se para a Rua Serpa Pinto, no Chiado (antiga casa Plessix), onde permaneceu até à morte do fotógrafo, em 1881. Após o falecimento de Fillon, o estúdio foi assumido por Augusto Bobone, que lhe deu continuidade como referência da fotografia lisboeta até ao início do século XX.
Alfred Fillon é considerado um dos grandes nomes da fotografia portuguesa de oitocentos. Não só pelo valor artístico dos seus retratos, mas porque fixou visualmente toda uma geração da sociedade lisboeta: família real, actores, escritores e figuras mundanas. Nos seus trajes elegantes, perante a sua câmara, todos eles posaram para o futuro.




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