sexta-feira, junho 13

ALBUMINAS

O processo de impressão em albumina foi o método dominante de produção de provas fotográficas entre 1850 e 1895, marcando a estética e a difusão da fotografia no século XIX. Trata-se de um processo positivo, em papel, no qual a imagem é formada por sais de prata suspensos numa camada de albumina de ovo, aplicada sobre papel fino e de boa qualidade.

A preparação começa com a separação da clara do ovo, batida e deixada a decantar, à qual se adiciona cloreto de amónio ou de sódio. Esta mistura era cuidadosamente espalhada sobre a superfície do papel, criando uma camada lisa e ligeiramente brilhante. Depois de seca, a folha era sensibilizada por imersão numa solução de nitrato de prata, formando cloreto de prata fotossensível. O papel, agora sensível à luz, era seco novamente e conservado no escuro até à impressão.

A impressão fazia-se por contacto directo: o negativo (geralmente em vidro) colocado sobre o papel albuminado, numa moldura de impressão, e exposto à luz solar. A imagem surgia gradualmente, permitindo ao operador controlar visualmente a densidade da prova. Após a exposição, a fotografia era lavada, tonificada (frequentemente com ouro, para melhorar a estabilidade e o tom) e finalmente fixada em hipossulfito de sódio.

O resultado: imagens de grande definição e riqueza tonal, com negros profundos, meios-tons suaves e o seu característico brilho acetinado. Estas qualidades tornaram a albumina ideal para retratos, vistas urbanas e álbuns fotográficos. Contudo, o processo tinha limitações: a camada orgânica envelhecia mal, sendo sensível à humidade, ao manuseamento e à poluição, o que explica o amarelamento e a perda de contraste observados em muitas provas antigas.

Apesar disso, a impressão em albumina foi crucial para a popularização da fotografia, permitindo tiragens múltiplas, circulação internacional de imagens e a consolidação da fotografia como meio visual moderno. A sua substituição foi gradual, pelos papéis de gelatina, no final do século XIX.







Albuminas: grande formato
e carte-de-visite
(autor, Francisco Rocchini)



quinta-feira, junho 12

CALÓTIPOS

 O calótipo foi um dos primeiros métodos fotográficos da história, e teve papel fundamental no desenvolvimento da fotografia moderna. 


Criado em 1841 pelo inglês William Henry Fox Talbot, o processo utilizava papel sensibilizado com sais de prata para registrar imagens por meio da ação da luz.


Diferente do daguerreótipo, que produzia apenas uma imagem única e muito detalhada numa placa metálica, o calótipo introduziu o sistema negativo–positivo. A imagem inicial era um negativo em papel, a partir do qual podiam ser feitas várias cópias positivas.  Representou um avanço decisivo para a difusão da fotografia. 


Apesar de apresentar menor nitidez, devido à textura do papel, o calótipo tornou o processo fotográfico mais versátil, acessível e reprodutível. Essa inovação abriu caminho para o uso da fotografia em áreas como a ciência, a arte e a documentação, influenciando diretamente os processos fotográficos que seriam desenvolvidos ao longo das décadas seguintes.


Em baixo: Ponte Pênsil sobre o Rio Douro (antepassada da Ponte Luiz I). Calótipo de Frederick William Flower.







O NIASSA E A GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Após a queda de Badajoz, a 14 de Agosto de 1936, milhares de republicanos espanhóis procuraram refúgio em Portugal, sobretudo através da fro...