quinta-feira, julho 3

VÁCLAV ČIFKA

Wenceslau Cifka (nascido na Boémia como Václav Čifka em 1811) foi ceramista de formação e fotógrafo activo em Portugal, integrando o grupo de artistas e técnicos centro-europeus que chegaram ao país na órbita do Rei D. Fernando II. Terá vindo para Portugal no contexto dessa corte marcada por um forte interesse pelas artes industriais, pelas artes decorativas e pela modernização técnica, em particular no eixo palácios das Necessidades–Sintra.

Antes de se dedicar à fotografia, Cifka conhecia já as práticas que envolviam química, fornos, superfícies e processos laboratoriais. A transição da cerâmica para a fotografia não era invulgar no século XIX, sobretudo entre artistas com formação técnica e científica. A sua actividade fotográfica em Portugal está documentada a partir do terceiro quartel do século XIX, sobretudo em daguerreótipo e provas em albumina e/ou gelatina. Um dos seus trabalhos, a imagem do ainda incompleto Palácio da Pena (daguerreótipo), foi adquirido em Paris, na década de 1990, por um preço considerado record na história da fotografia portuguesa. Participou na Exposição Industrial de Lisboa (1849), na Exposição Filantrópica no Arsenal da Marinha (1851), na Exposição Universal de Paris (tanto em em 1867 como em 1878). Recebeu a Medalha de ouro na Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro em 1879. Cifka viveu em Lisboa até à sua morte, em 1884.



Václav/Wenceslau Cifka




Estufa da Tapada das Necessidades




Claustros dos Jerónimos


Os Postais Fotográficos de Bárcia

Em 1906, a nova Avenida D. Amélia (hoje Avenida Almirante Reis) estendia-se para norte, obrigando ao desaparecimento de parte do regueirão. A Rua dos Anjos foi cortada na zona exacta onde estava a velha igreja, muitos metros aquém da actual. O templo foi abaixo. Terraplanou-se a zona e, depois, cosmopolita e desempoeirado, passou-lhe por cima o tabuleiro da nova artéria citadina. Os velhos prédios da Rua dos Anjos vêem-se, na foto, em segundo plano. Ficaram lá. Ainda lá estão. Mas a vista a partir do mesmo local é hoje impossível. Onde vemos igreja e anexos, homens e carroça, corre agora asfalto. Zona alagadiça, os Anjos continuam a denunciar desníveis de terreno justificáveis pelo ribeiro que, em tempos anteriores à cidade, por aqui correu, entroncando no rio maior que definia o leito da actual avenida. 

  Onde as águas se cruzam - dizem -, o destino espreita. Assim, também nesta novíssima avenida de 1906, cujo real nome em breve passaria à História. D. Amélia no exílio, e eis novo topónimo, em 1910, homenageando o almirante Cândido dos Reis.

José Artur Leitão Bárcia esteve lá, de máquina fotográfica e tripé, antes de tudo isso. E é, talvez, o seu postal fotográfico mais sugestivo: "Lisboa Antiga", sim, mas retratada à beira de ser Lisboa nova. Entre um século e o outro. Entre o bairro popular e a larga avenida. Entre a Monarquia e a República.

(texto de Marina Tavares Dias em 'Os Melhores Postais de Lisboa'.




O NIASSA E A GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Após a queda de Badajoz, a 14 de Agosto de 1936, milhares de republicanos espanhóis procuraram refúgio em Portugal, sobretudo através da fro...