quinta-feira, setembro 17

MAFALDA DE SABOIA, PRINCESA NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO

Mafalda de Saboia parecia uma criança destinada a vida de conto de fadas. Segunda filha do rei Vítor Emanuel III de Itália e da rainha Helena (princesa de Montenegro), nasceu em Roma a 2 de Novembro de 1902. A monarquia parecia sólida e o futuro previsível. Os editores imprimiam milhares de postais com o seu retrato; o seu rosto infantil circulava por toda a Europa como símbolo da dinastia de Saboia.

Ninguém poderia imaginar que aquela menina acabaria por morrer num campo de concentração nazi.

Descrita como a mais espontânea e afável dos filhos do rei, Mafalda cresceu longe da política. Em 1925 casou com o príncipe Filipe de Hesse, membro de uma antiga família alemã. O casamento parecia reforçar os laços entre duas casas reinantes, mas viria a colocá-la, anos mais tarde, no centro da tragédia europeia. Filipe aderiu cedo ao Partido Nazi e tornou-se um dos intermediários entre Hitler e Mussolini. Mafalda, porém, nunca partilhou esse entusiasmo. Há testemunhos de que olhava com desconfiança para Hitler e que nunca escondeu a antipatia que lhe inspirava.

Quando a Itália assinou o armistício com os Aliados, em Setembro de 1943, Hitler decidiu vingar-se da Casa de Saboia, que considerava responsável pela queda de Mussolini. O marido foi preso e Mafalda, atraída com o pretexto de uma reunião, foi detida pela Gestapo. Sob o nome falso de Frau von Weber, foi deportada para o campo de concentração de Buchenwald.

Ali deixou de ser princesa. Passou a ser apenas uma prisioneira.

Em Agosto de 1944, um bombardeamento aliado atingiu instalações junto ao campo. Mafalda ficou gravemente ferida, sofreu queimaduras extensas e fracturas. A assistência médica foi tardia e insuficiente; acabou por morrer em 28 de Agosto de 1944, com apenas 41 anos.

A ironia da história é cruel. Filha do rei que entregou o poder a Mussolini e assinou as leis raciais de 1938, Mafalda acabaria por morrer vítima do mesmo regime nazi que o pai ajudara, indirectamente, a fortalecer.










Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigado pelo seu comentário.

O NIASSA E A GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Após a queda de Badajoz, a 14 de Agosto de 1936, milhares de republicanos espanhóis procuraram refúgio em Portugal, sobretudo através da fro...