domingo, agosto 23

O CENTENÁRIO 'ESPARGUETE VALENTINO'




O ano do centenário do nascimento de Marilyn Monroe é também o da morte daquele que fora o maior ídolo cinematográfico de 1926: Rudolph (Rudolfo) Valentino. 


Quando morreu, em 23 de Agosto de 1926, Norma Jeane (Marilyn) tinha apenas 83 dias. A mãe, Gladys Monroe Baker, trabalhava num laboratório cinematográfico que montava os filmes de Hollywood. Ou seja, vivia mergulhada no mundo das estrelas do cinema mudo, do qual Valentino era o expoente máximo. 


Ao contrário do centenário de Marilyn, o de Valentino talvez passe despercebido a quem não lhe conhece os filmes. Hoje, em sua homenagem, recordo outro talento em que era lendário: o de cozinheiro. Rudolph fazia o melhor esparguete de Hollywood. 


Aqui vai o segredo dessa receita que, segundo os jornais de há um século, começou como variante de uma invenção culinária de Beulah Livingstone (amiga do actor). As ‘festas de spaghetti Valentino’ eram famosas. E a receita é bastante inesperada.



Spaghetti Rudolph Valentino

(para cerca de 4 pessoas)


Ingredientes:


225 g de esparguete 

2 colheres de sopa de azeite

2 cebolas grandes

2 pimentos verdes

450 g de carne de vaca picada (‘ground round steak’)

cerca de 225 g de parmesão ralado ou queijo americano claro

1 lata e meia de sopa de tomate

sal

pimenta

paprika

alho

manteiga



Preparação


Manter o esparguete em bastante água a ferver com sal, apenas até estar quase cozido. Escorrer imediatamente.

Aquecer o azeite numa frigideira grande. Picar as cebolas e os pimentos verdes e fritá-los no azeite até ficarem bem alourados. Retirá-los da frigideira.

Fritar então a carne picada, mexendo frequentemente, até ficar completamente alourada. Voltar a juntar a cebola e o pimento e acrescentar a sopa de tomate. Misturar bem, temperar e deixar cozinhar em lume brando durante 15 minutos.

Esfregar muito bem uma travessa de forno grande com alho e depois untá-la uniformemente com manteiga.

Misturar o spaghetti com o molho e deitar tudo na travessa. Cobrir com o queijo ralado.

Levar ao forno, a 160 ºC (325 ºF), durante uma hora.


O pormenor delicioso vem no fim dos artigos americanos que davam esta receita: ‘The great lover insisted the long, slow baking made the difference.’ Ou seja: ‘O grande amante insistia que o segredo estava naquela longa e lenta cozedura no forno.’


‘Devagarinho’ era, portanto, o mote. O ‘amante latino’ aplicá-lo-ia noutras receitas. Quando estava ainda a começar em Hollywood, e era pobre, já convidava toda a gente ligada aos estúdios para a sua gigantesca salada de alface, à qual lentamente ia juntando figos frescos, nozes partidas ao momento e tomates cortados, cobertos com queijo-creme.


Escreviam os jornais: ‘The great lover cooked the main dish lovingly. Even at his zenith he liked to cook for his friends.’

Isto é: ‘O grande amante preparava carinhosamente o prato principal. Mesmo no auge da fama, gostava de cozinhar para os amigos.’ Esta fotografia dele a levantar o esparguete não é apenas uma imagem publicitária de Hollywood: é o retrato ao vivo da tradição contemporânea/pessoal de um Valentino carinhoso, cozinheiro e anfitrião. 


É o seu centenário. Bom proveito.




Marina Tavares Dias 














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